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CUIDADOS BÁSICOS COM ANFÍBIOS


Anfíbios
Os anfíbios compreendem um grupo diverso dentro dos vertebrados, representados por mais de 4.000 espécies.
Pertencem a três ordens: Anura (Salientia), Caudata (Urodela) e Gymnophiona (Apoda).

Aquários de vidro e recipientes de plásticos são os recintos mais comumente encontrados para a manutenção de anfíbios. O vidro é mais limpo e não absorve materiais de limpeza (desinfetantes). Tampas móveis e teladas são preferíveis as fixas de vidro ou plástico. Uma adequada ventilação deve ser proporcionada; geralmente 1 a 2 trocas de ar por hora. As teladas não impedem a passagem de raios UV o que não acontece com o vidro ou plástico.

Como substrato temos o cascalho, areia, bark, etc. O cascalho deve ser liso, de tamanho adequado para que não seja ingerido ou bem pequeno para que possa passar tranqüilamente pelo trato gastrointestinal. A areia pode conter aditivos tóxicos além de poder causar obstrução gastrointestinal. Costumo colocar a areia dentro de uma estufa, a qual permanece a uma temperatura de 93 graus Celsius por 30 minutos. Este procedimento simples é capaz de remover os artrópodes potencialmente patogênicos aos anfíbios. Os animais expostos a um substrato novo devem ser monitorados por algumas semanas para qualquer reação adversa.

Anfíbios Plantas terrestres purificam e umedecem o ar, utilizam os dejetos do solo, filtram luz, e promovem abrigo ou refúgio para os habitantes da caixa. As plantas mais comumente utilizadas incluem a Aglaonema commutatum, Aglaonema roebelinii, Chamaedorea elegans, Epipremnum aureum, Philodendron oxycardium e Spathiphyllum tasson. È bom salientar que tanto estas plantas como outras contém oxalato de cálcio que pode causar lesão renal nos anfíbios que se alimentam se insetos os quais, por sua vez, se alimentam das plantas do terrário.

Uma limpeza adequada do terrário é um tópico crucial para o bem estar (saúde) dos animais. Quando se esta preparando um terrário para um grupo novo de anfíbios, a limpeza da caixa é o passo inicial. Acredito que os materiais devem ser lavados com uma solução de cloro a 5%. Após um contato de 30 minutos, os materiais devem ser lavados em água corrente e limpa.

Os anfíbios são ectotérmicos com uma temperatura similar a do ambiente. Eles possuem, entretanto, mecanismos fisiológicos e adaptações comportamentais que lhes permitem um limitado controle térmico. Sua pele produz secreções glandulares que controlam a perda de água. Alterações na coloração da pele interferem ou influenciam na absorção da radiação solar. Vasodilatação e constrição também aumentam ou diminuem a perda de calor corpóreo. As alterações na temperatura externa interferem nos processos metabólicos incluindo a regulação da digestão e função imunológica.

Anfíbios Emaciação devido à má nutrição, bem como infecção bacteriana e fúngica são conseqüências comuns as condições térmicas adversas. Para prevenir uma alteração rápida ou extrema da temperatura devemos tomar os seguintes cuidados: evitar restringir o animal diretamente sob a luz solar ou perto da fonte de calor, ar condicionado, verificar se a água trocada se apresenta na mesma temperatura que a antiga, manter uma temperatura adequada no novo terrário ou na caixa de transporte, e instalar dispositivos "anti- flutuação" da temperatura (termostatos).

A umidade ambiental é essencial para a saúde do anfíbio. Por sua pele ser permeável a água, ambientes com umidade inadequada podem provocar ressecamento da mesma. No outro extremo, com umidade muito elevada, os animais podem acumular líquidos corporais e desenvolver alterações dermatológicas ameaçadoras a sua vida. Muitos anfíbios despendem uma grande parte do seu tempo em microhabitats onde a umidade relativa é alta (até 70%). Até as espécies que vivem em macrohabitats, também procuram lugares mais úmidos como buracos ou embaixo de rochas. Para a maioria dos anfíbios, a umidade de 70% é a ideal. Faz-se necessário salientar que quando digo que umidade de 70% é a ideal, não pode ser interpretada de que o terrário como um todo deva estar com umidade de 70%! Por exemplo, alguns anfíbios (Phyllomedusa sauvagei) estão adaptados para passar parte de cada dia em locais de baixa umidade; caso sejam mantidos em alta umidade, desenvolvem problemas dermatológicos severos.

A água utilizada para os anfíbios deve ser limpa e isenta de produtos potencialmente tóxicos como cloro, amônia, nitritos, pesticidas, e metais pesados. Ovos dos anfíbios e também as larvas são particularmente sensíveis a todas estas toxinas. Um bom tratamento ou cuidado que a água deve receber é que fique mantida em um recipiente aberto por 24 horas ou ser passada através de um filtro de carvão ativado. Nunca utilize água deionizada (destilada) porque poderá criar um gradiente osmótico perigoso entre o anfíbio e a água.

Anfíbios A importância da luz (espectro, intensidade, fotoperíodo) para a saúde do anfíbio é pouco compreendida. O que posso recomendar é que siga ou simule a iluminação natural do meio ambiente. Lâmpadas especiais com raios UV são recomendadas. Misturar anfíbios de espécies inapropriadas, número, tamanho, idade, ou sexo pode resultar em elevados níveis de estresse e injúrias traumáticas. Infelizmente, não existe uma fórmula ou regra para determinar quais as combinações seriam as mais corretas. Acredito que a busca de maiores informações com profissionais acostumados com seu manejo (biólogos, veterinários e criadores) seja o melhor caminho, mas caso este procedimento não seja possível, podemos seguir as seguintes regras:

Quando em dúvida, mantenha os animais separados. Os anfíbios não necessitam de companhia e mantém-se alertas e saudáveis quando criados em separado. Algumas espécies são intolerantes com companhias! Selecione espécies adequadas e de mesmo tamanho. Espécimes grandes podem intimidar as menores, causando diminuição do apetite e levando o animal à doença. Além do mais, muitos anfíbios não hesitarão em comer os espécimes menores.

Durante a época reprodutiva muitos animais podem ficar agressivos, portanto uma observação constante e atenta deve sempre ser instituída. Os animais devem ser separados e acomodados de forma correta.

Evite colocar indivíduos novos com antigos. Muitos anfíbios utilizam o olfato como reconhecimento territorial e controle das interações comportamentais. Isto pode ser estressante, por exemplo, para animais subordinados serem colocados em ambientes marcados por ferormônios de um animal dominante.

Anfíbios Antes da metamorfose, rãs e sapos podem ser herbívoros, onívoros, ou carnívoros, dependendo da espécie. Após a metamorfose, as dietas tipicamente mudam para carnívoro ou insetívoro completo. Em geral, insetos possuem pouco cálcio e razão entre cálcio e fósforo inversas. Esta razão inversa pode ser melhorada adicionando cálcio e vitaminas aos insetos. Realizo esta "adição" colocando o inseto em um saquinho plástico com cálcio em pó após ter umedecido o inseto com um complexo vitamínico; outra forma é aumentar ou introduzir uma dieta rica em cálcio para os insetos alguns dias antes de serem oferecidos aos anfíbios. Saliento que os insetos devem ser ingeridos rapidamente, pois perdem seu valor nutricional em pouco tempo quando colocados no habitat do anfíbio.

Estou seguro que muitas informações foram propositadamente esquecidas, pois acredito este texto ser apenas uma "pequena luz" orientadora aos iniciantes e aos possuidores destes animais tão especiais.

Referências:
JENKINS, J. The veterinary clinics of north america: exotic animal practice. W. B. Saunders, Philadelphia, 1999. p.43-91.
ORCUTT, C. The veterinary clinics of north america: exotic animal practice. W. B. Saunders, Philadelphia, 1999. p. 265-331.

Esse artigo foi escrito por:

Dr. Ale Pessoa,DVM/MSc
Fone: 0xx11 99112330 / 78659482
E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Site: www.animalexotico.com.br

 
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